aceitam-se géneros

Ora algo muito curioso que tive oportunidade de observar por interposta pessoa, foi que os clientes acham que os trabalhos podem ser pagos, não às prestações nem a 30 ou 60 dias, mas em géneros.
Ora então vejam! Cliente x diz então o seguinte “ah, sim senhor, gostamos muito da ideia do seu trabalho - embora o orçamento nos deixe um bocado azedos - e por isso propomos a seguinte situação:
primeiro, você faz o trabalho profissional a que está habituado e nós ficamos muito satisfeitos;
segundo, você espera sentadinho que lhe chegue a casa um cartão livre trânsito que dá acesso total aos serviços do nosso negócio durante um mês (compra de tapetes com vouchers do cliente, aulas no ginásio, aluguer de material de motociclismo, o que entenderem, porque o peixe é todo o mesmo);
terceiro, você fica satisfeito porque lhe oferecemos a oportunidade única de usufruir do nosso serviço e NÃO RECEBER MAIS NADA POR ISSO! Mas você não usa tapetes, nem frequenta ginásio ou tem uma mota.
A minha única reacção é que isto só pode ser uma piada. Seria uma coisa fantástica de acontecer se as pessoas não tivessem que se alimentar e não estivesse envolvida uma quantia significativa - para quem depende de clientes caprichosos como este - que serve, sim, para sobreviver.
Agora imaginem a coisa ao contrário. Eu vou a uma loja de tapetes e digo “olhe, tem aqui um tapete tão interessante, cravejado a diamantes, que fica tão bem na minha sala que eu vou fazer o favor de lhe pagar com as begónias que eu planto na minha estufa”. A dona da loja, excitada de emoção, mandaria entregar o tapete em casa da cliente e esperaria, de olhar ansioso, e mão na porta da loja, o carregamento de begónias. Que talvez até acabasse por chegar.
Por favor.
Já vi ignorância, mas falta de respeito pelos profissionais… Por mais em crise que isto ande, este tipo de trocas não seria bem aceite na minha conta à ordem.