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objectivo: derivação oblíqua de reflexões.
Função/devaneio funcional: Crítica das artes e dos media e observadora da raça humana.

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Óscares, carnaval de bateria

Aparentemente, não haveria qualquer semelhança entre os Óscares e o Carnaval - a não ser a data, este ano. Mas desiludam-se as mentes mais crédulas, porque tem tudo a ver.

Primeiro, está mais que visto que esta cerimónia que move meio mundo e mexe com as emoções de actores/produtores/realizadores, sound mixers, cinéfilos - e fãs - por todo o mundo, não é mais que uma fantasia tornada realidade - com pompa e circunstância, certamente, e que dá, muitas vezes, para rir.

Isto porque as nomeações e as decisões são feitas e tomadas por um júri que se acha supra sumo nas decisões que toma – ainda que reúna cineastas que percebem do assunto, mas, como todos sabem, não são imunes aos lobbies das produtoras, com grande peso ($) nestas decisões. Ainda que com menos credibilidade, os MTV Awards e os Globos de Ouro (!) são, virtualmente, decididos pelo público. Democracia das estrelas, go figure! Além do mais, certos filmes nomeados são favoritos à partida e, às vezes, não acontecem grandes surpresas. Outras vezes, sim. Tal foi o caso de Slumdog Billionaire, 8 estatuetas em 10 nomeações.

Segundo, esta indústria – que já por si move dinheiro a rodos – centra-se nesta grande máquina, especialmente no sítio onde a dita cerimónia acontece. Os olhos do mundo estão postos lá, os fãs a fazer fila para “fazer parte” do espectáculo e há festival de som e imagem, e, este ano, até deu lugar a espectáculo de variedades. Hugh Jackman qual madrinha da bateria! (Por acaso, one man show. Dou a mão à palmatória, o senhor excedeu as expectativas que eu tinha para o espectáculo.) Amigos meus dão como hipótese a chamada de Felipe La Féria para “encenar” a cerimónia dos Globos de Ouro.

Terceiro, eles “inovam”, mudam temas de decoration, mudam cast. As produtoras são quase sempre as mesmas (tipo escolas de samba), e mudam os temas, o costume design e os vestidos das senhoras – o dos senhores é sempre o mesmo, apesar de este ano o Philip Seymor Hoffman, nomeado a Melhor Actor Secundário, levar um gorrinho de malha preto a fazer combinar com o fatinho clássico. Este ano, as senhoras decidiram vestir quase todas de branco – que não ficava bem a todas. O prémio tem sempre o mesmo aspecto, tem nome de peixe, e faz reunir gente no mesmo sítio, depois de passar pela passadeira vermelha e sorrir e posar para os media. Tudo igual. Este ano, mudaram o cenário e o esquema de apresentação, como se muda o aspecto dos carros alegóricos do Carnaval do Rio – ou das marchas populares.

Isto vem de quem nunca tinha visto uma cerimónia por inteiro, mas que, decididamente, não vai voltar a ver tão cedo.