twit-trivialidades
Hoje tinha que me manifestar, porque não há pachorra para unilateralidades que partem de gente que, supostamente, é fazedor de opinião em certos e determinados órgãos de comunicação.
A imprensa - em todos os seus multimeios - tem abordado o Twitter de mil e uma formas, com incidência - pois! - no Paulo Querido, que, para o bem e para o mal, está, verdadeiramente ONLINE.
Tal foi o caso repetir-se na Única deste sábado, cujo Prato Principal é o Cérebro. Luís Pedro Nunes, na sua “Em Manutenção” (pág. 78) , fala - de forma incompleta, jocosa e unilateral - assim como no seu próprio Twitter , exactamente do Twitter, essa “rede social” que anda na boca do povo, tendo como base “conversitas de 140 caracteres produzidas em colmeias online e que até há umas semanas estavam confinadas a nerd-geeks”.
Caro senhor, como em todos os fenómenos sociais, nomeadamente os “democráticos” como é o Twitter, a gestão de informação baseia-se no bom senso. Como em todos os fenómenos sociais, há gente com mais e com menos bom senso e com toda uma panóplia de intenções e contrapartidas que, se calhar, Vª Exª não previu. Esse senhor seu amigo com “três meses de Twitter” deve verificar as fontes, porque nem só de directores de jornais vive a nova vaga de Twitterers e há mais “media producers” para lá dos noticiosos tradicionais. Web 2.0, já ouviu falar? Então talvez preciso de mais literatura quando a Web 3.0 estiver completamente estabelecida.
Refere-se ele ao Twitter como uma “imensa favela de morro com centenas de conversas simultâneas”. Como em todos os fenómenos sociais, é certo que a maior parte das pessoas não tem nada de importante a dizer ou fala de trivialidades, e despeja desabafos na twittosfera. Há quem (os followers) siga, a torto e a direito, users que têm grande input de informação na plataforma web-based, ao alcance de todos - ou quase todos - para esse tal reconhecimento e ascensão social. Há quem ainda não perceba para que serve o Twitter e há outros que não vêm qualquer utilidade no dito. Mas, e perdoe-me a arrogância, eu uso o Twitter para meios profissionais. Não que se note pela minha timeline, mas eu leio mais do que escrevo. E leio (leia-se, sigo) gente que partilha informação, que escreve matérias, que explora conteúdos - acho que é esta a lógica do Twitter. E arrisco a dizer que o guru Paulo Querido partilha desta opinião.
Ainda há outros senãos do Twitter: enquanto isto for moda, toda a gente vai twittar. Quem deixar de ver utilidade, a curto prazo, no Twitter, abandona a rede e volta a ter vida pessoal - e profissional, quiçá. É dificil acompanhar ao segundo a actualização de informação - porque ela acontece, efectivamente, ao segundo - e a timeline passa a ter mais de 5 páginas em apenas 1 minuto ou dois. Todos querem ser opinion makers e o Twitter veio agravar esse desejo de popularidade. E aí volta a necessidade de triagem e de bom senso (ou a falta dele).
Evidentes são as vantagens e desvantagens do uso do Twitter, o que também depende de quem, para que efeito e com que broadcast ele é utilizado (medido pelos followers, talvez). Mas, volto a dizer, são contextos dos fenómenos sociais e das democracias.
Mas, caro senhor, quem não tem nada de importante para dizer em 140 caracteres, pois tem bom remédio: não diga.